
SIm, um mês. Na verdade seria ontem que daria um mês. Foi bem complicado no inicio. Para onde quer que eu vaia eu sentia uma cova no meu coração. As vezes eu simplesmente desesperava e queria desaparecer. As vezes só senti que o mundo fosse uma dose de porcaria que era-mos obrigado a servir-nos dela. A um mês atrás, eu fazia estava entrando dentro do carro, cheio de malas e conduzindo-me para Lisboa. A um mês atrás eu estava na pizzaria com a Cátia, a Calhau, a Rita e a Inês almoçando para me despedir. A um mês atrás eu abracei-me a todas as minhas verdadeiras amigas e começa-mos a chorar. A um mês atrás eu tremia por todos os lados negando que queria ir embora. Chora-mos, chorei. Ainda agora escrevendo isto doi-me o coração. A dez anos atrás e alguns meses eu estava indo num avião, eu tinha 4 anos e estava a ir para Portugal. E depois de dez anos voltei para o Brasil. Eu era pequena e para mim foi tão facil. Tão depressa fiz amigos, tão depressa estava bem. Mas se tivesse-mos noção do que é dificil fazia-mos tudo mais facil. Se eu soubesse que dizer adeus era dificil nunca tinha dito, assim rezervava o meu primeiro adeus para ultimo. "Every hello ends with a goodbye" e é verdade. Quando fiquei a saber disto vi coisas horriveis, via-me com uma coisa horrivel para contar as pessoas mas não sabia como contar. Quando contei foi horrivel, eu não acreditava que estava a contra isso e ninguém acreditava que estava a ouvir isso. Apesar de ter ouvido muitas palavras de força nessas palavras encontrava muita tristesa. Quando eu dizia para ninguém falar sobre isso parecia que toda gente só queria falar disso. E eu vivi com isso me pertubando. No dia que fui-me embora, chorei apenas quando disse tchau as minhas amigas, e depois uma vez no aeroporto. Só senti que iame, eu nem sequer pençava em nada. Depois tinha de ouvir um monte de genet a dizer-me "podes ficar na minha casa" e eu ficava deprimida. Quando toda gente resouveu deixar o assunto de lado alguém que eu via todos os dias falava-me disso todos os dias e eu aguentava-me para chorar ou chamar-lhe o que quer que seije. Ainda bem que eu conhecia alguém chamada Carina Mesquita que para mim foi super importante, porque ela apoiou-me tanto. Depois de um mês agora para mim é apenas estranho. Eu vejo a mim própria como alguém muito forte, porque toda gente dizia "eu não conseguia" e quando eu lia isso das pessoas lia isso com tanto desprezo porque elas dizem isso porque estão longe dessa situação, e se estivessem nessa situação iam conseguir, de lagum lado acab-mos por arranjar poder. A vida é assim, sobrevivencia. Se não consegue sobreviver o que fazer aqui? Nada. E quando alguém que eu conhecia se queixava de como estava eu dizia "e eu?" e quando eu me queixava de como eu estava dizia "e eles?" , eles são os piores que eu. Opa não vale a pena queixares-te da vida porque a vida é mesmo isso: alguém que obriga-nos a queixarmo-nos dela, e forte é quem não se queixa e ve que a gente pior que não se queixa. Pior que eu digo é gente esfomiada, doente e que sofria uma vida péssima com violencia e que não tinha failia . Gente menos pior do que esses estava gente que perdia gamigos porque tinha de ir embora e os menos piores dos menos piores eram aqueles que ouvem não dos pais ou coisa do genero. Apenas caga, porque é tudo assim. E somos todos fortes. Eu hoje estou feliz